
Professor Antonio Carlos Lopes
"Medicina é colocar em prática o amor ao próximo"

O Prof. Antonio Carlos Lopes escreve quinzenalmente na coluna Saúde & Cidadania do Diário do Grande ABC.
Nenhum tema importante sobre saúde pública no Brasil escapa da lente e do escrutínio criterioso do colunista.
Acompanhe aqui as últimas crônicas publicadas:
11/01/2021 • Um Sonho de Ano Novo
Um 2021 diferente, com cura para todos; a virada de página! É esse meu sonho e desejo de ano novo para todos nós. 2020 foi pesado, dolorido, perverso; deixou à história um rastro de mortes, de sequelas e de tristes ais. Meus sentimentos a todos aqueles que perderam alguém querido. Sou médico e convivi com diversas baixas de amigos. Só quem passa por algo assim sabe exatamente o tamanho e o baque de ter um próximo roubado repentinamente. Mais [Leia mais]
08/02/2021 • Boa Medicina aos Pacientes
Dia a dia, novos cursos de medicina são liberados para abrir vagas, mesmo sem atender aos critérios mínimos para uma boa formação. Assim, mais e mais médicos sem capacitação suficiente passam a atender à população em iminente risco à saúde de todos nós. Descontinuado, ninguém sabe o motivo, há cerca de dois anos, o exame do Cremesp para médicos recém-formados foi, por mais de dez anos, um alerta aos cidadãos e às autoridades. Em todo o Brasil, era o [Leia mais]
21/02/2021 • Humanismo e Respeito ao Outro
Em um mundo que consome novidades tecnológicas e faz delas muletas para distintas ações, cabe parar e pensar onde foi parar o humanismo. No caso de medicina, a humanização das relações é primordial. O elo entre médico e paciente deve ser necessariamente entretecido pela empatia, a cumplicidade, o respeito, o cuidado. Contudo, a realidade não é essa. Hoje, muitos doutores nem se dão ao trabalho de levantar a cabeça e olhar nos olhos de seus [Leia mais]
08/03/2021 • Formação, Democracia, Transparência
Respeito à liberdade, tolerância, exercício da solidariedade humana, preparo ao exercício da cidadania, qualificação para o trabalho e formação. Essas são missões inerentes às mais elevadas instituições do Brasil e do mundo. Aliás, são características basilares para qualquer ser humano de caráter.
Ocorre que, em tempos de Covid-19, temos assistido a recorrentes ataques aos princípios democráticos. É uma triste realidade motivada, em regra, por interesses de uns poucos, por ideologias e/ou questiúnculas partidárias.
Peguemos a educação, como exemplo. Em muitas universidades é claro o retrocesso. Antes palco de debates brilhantes e efervescentes e berço de ideias transformadoras e libertárias, a academia vem se trancando em um círculo vicioso e perigoso, dando as costas aos cidadãos.
Nos campi das universidades, a democracia deve pulsar sempre na criação intelectual e no debate político, científico. São direitos que devemos defender sempre, a ferro e fogo se preciso for, pois trata-se de garantir liberdades individuais e coletivas.
Contudo, jamais podemos perder de vista que uma universidade é célula da sociedade. Portanto, deve retorno e respostas ao coletivo, além de foco às demandas essenciais.
O mesmo retrocesso é evidente no setor da saúde. São investimentos a menos e corrupção a mais. Grande preocupação dos brasileiros, em particular agora com a pandemia, vemos a assistência caótica. Enquanto isso, noticiários estampam a toda hora manchetes sobre máfias no SUS, sumiço de cargas de medicamentos, fraudes em negociações de respiradores, oxigênio e por aí segue.
O País vive momento preocupante neste aspecto. Ignora-se as necessidades dos cidadãos e as carências se perpetuam. Faltam empregos, escolas, unidades de saúde, moradias. Falta honradez e dignidade, principalmente.
O mundo mudou, tudo mudou. O planeta e as pessoas são outras. O Brasil não pode se fechar no obscurantismo. Criar órgãos fiscalizatórios para todos os entes públicos, estabelecer meios de fato transparentes de gestão financeira, entre outras medidas, são ações urgentes.
Os cidadãos pedem respeito. Têm razão, integral: os quereres de uma Nação devem ser preservados e garantidos até o fim.
Antonio Carlos Lopes é presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica e professor afiliado do HMASP (Hospital Militar de Área de São Paulo).